quarta-feira, 30 de março de 2011

Ciclo profético

"Violência gera violência", Anthony Burgess;
"Gentileza gera gentileza", Profeta Gentileza;
"Gentileza gera violência", Ana Paula, Profetisa Ímpar.

sábado, 26 de março de 2011

Loucas pra casar!


A "mulherzinha" meiga, romântica e sonhadora de hoje é a dona de casa gorda, suada e barraqueira de amanhã.

domingo, 20 de março de 2011

Caro Sr. Presidente,

"A democracia no Brasil é exemplo para os países árabes";
"O Brasil é muito mais lindo do que nos filmes",
Obama disse em seu discurso, realizado no Theatro Municipal
do Rio de Janeiro, hoje. Creio que um itinerário elaborado hipotética e humildemente como o meu abaixo traria uma nova perspectiva ao nosso dono do mundo:

Caro Sr. Presidente, convido-lhe a conhecer nossos políticos,
velhos asquerosos, corruptos, ladrões de um povo ignorante,
manipulável e com valores mediocres, nossos pastores, comerciantes
engravatados de mercadorias falsas e podres, traficantes de almas
condenadas a uma vida de escravidão física e espiritual. Nossos policiais,
abusando do poder que lhes é resignado e comprados por aqueles que
deveriam combater. Nossos bandidos, chefões do morro, chefões de
vidas miseráveis, mandantes dos crimes mais abomináveis, chefões de
uma cidade inteira.
Nossos pivetes, crianças analfabetas e imundas, jogadas
às ruas e importunando os que por elas se sentem amedrontados e enfurecidos. Nossos
marginais, garotos viciados e fortemente armados, explodindo cabeças daqueles que não têm seu direito à defesa permitido por lei. Nossas celebridades, prostitutas
não-assumidas e não-reconhecidas, enrustidas no véu banal de dançarinas,
modelos, cantoras e atrizes. Todas umas vadias mercenárias. Gays deslumbrados,
jogadores drogados e assassinos, sambistas cafetões e bicheiros, apresentadores
milionários e ostensivos.
Nossos professores, infelizes sábios em seus palácios deploráveis
do conhecimento, cercado por seus súditos desinteressados, vendo
a fortuna que mereciam parar nas mãos de deputados e ex-bbbs. Nossas crianças,
corrompidas pelo hipnotizante culto à sexualização precoce, à exibição sem limites,
ao consumo de futilidades alienantes e desprezíveis. Nossos fanáticos religiosos,
escravos de uma fé questionável e isentos de racionalidade.
Convido-lhe a visitar nossas favelas, berços esplendidamente imundos e esquecidos por uma política pública que planeja justamente essa postura como a correta e lucrativa.
Nossos bailes, antros de prostituição, vícios e crimes, onde menores de idade aprendem que funk é, de fato, CUltura.
Nossas escolas, ambientes desgastados e abandonados, lugar de trabalhadores mal pagos, em prol de um progresso exclusivamente econômico e tecnológico.
Nossos condomínios luxuosos, repletos dos que se fecham em uma realidade paralela, saindo dela somente quando desejam mais pó, ou simplesmente correr a mais de 100km/h no meio da noite.
Nossas ruas, todas elas, mas sem interdições, fechamentos e proibição temporária da circulação de pessoas, veículos e atividades comerciais. Nossas ruas caóticas, sujas, cheias dos seus habitantes hipócritas e egoístas, a pé ou a bordo de transportes caindo aos pedaços, abarrotados, calorentos, estressantes.
Convido-lhe, por fim, a conhecer, a verdadeira democracia deturpada de uma zona tropical onde poucos mandam e muitos obedecem. Nossa distopia extraordinária por trás de uma enorme bunda receptiva e calorosa, onde o buraco, na verdade, é mais embaixo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ecce homo...

Nomadismo, caça, sedentarismo, agricultura, propriedade coletiva, privada.
Pau, pedra, arco, flecha, espada, revólver, bomba... meios distintos para o mesmo fim.
O "progresso" se dá apenas nas esferas econômica e tecnológica.
Já o homem continua tão primitivo em sua selvageria quanto em tempos dos mais imemoriais.

Admirável mundo novo, seus devaneios e delícias...

"A religião é ópio do povo", dizia Marx,
"... e o carnaval também", acrescento eu.

terça-feira, 1 de março de 2011

Enfim...

"Cada um tem de mim exatamente o que provocou".

Parodiando Chaplin, com uma pitada de niilismo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Obrigada por fumar (...)


Não sou contra o fumo, contanto que longe de mim. Acho que cada um tem o livre-arbítrio, garantido pelas mitologias, ou o livre-alvedrio, pela jurisprudência, de se matar como bem entender.
Mas o fumante deveria ter apenas um local permitido por lei para saciar seu vício corrosivo: seu próprio banheiro. Afinal, é este o espaço que melhor conhece o ser humano. Seus atos mais íntimos, escatológicos, doentios, deprimentes e imundos. Além das roupas, a máscara da civilização é jogada ao chão em detrimento ao que é de fato, natural. E, se o homem é um ser vivo com propenção a vícios dos mais diversos tipos, nada mais natural do que deixar-se consumir por eles na solidão de seus hábitos, sem obrigar os demais a partilharem disso no baile de máscaras da vida cotidiana.